Fotografias e imagens de viagens
Império quinhentista e união dinástica de Portugal
Fotografias em Portugal

Até meados do século XVI, a coroa portuguesa obteve o monopólio do tráfico das especiarias, destronando, assim, a posição até aí dominante de Veneza. Lisboa, invadida pelos grandes mercadores europeus, era capital de um império cujo coração batia em Goa e nas demais feitorias do Índico, em ligação com as ilhas das especiarias do sudoeste asiático, mas também com os entrepostos africanos e com a feitoria portuguesa estabelecida na Flandres. O Estado da Índia, cujas bases foram lançadas por Afonso de Albuquerque, assentava no controlo dos mares e numa rede de pontos-chave de comércio. Em meados do século XVI, os portugueses comerciavam pela primeira vez na China e no Japão, onde uma importante acção de missionação foi levada a cabo pela Companhia de Jesus.
A mudança na conjuntura imperial iniciou-se em meados do século XVI. As principais feitorias do Índico e da Insulíndia foram atacadas pelas novas potências coloniais europeias e a rota do cabo voltou a perder para a levantina. Ao mesmo tempo, a colonização da terra brasileira dava passos firmes com o início da produção açucareira. O açúcar entrava num circuito atlântico triangular, que tinha os seus outros vértices em Lisboa e na costa ocidental africana, de onde seguia a mão-de-obra escrava para as plantações brasileiras. Começava a viragem do centro de gravidade do império para o Atlântico.

União dinástica

Jean 4 de Portugal

No entanto, o trato brasileiro desde cedo despertara a cobiça das emergentes potências coloniais europeias: França, Holanda e Inglaterra partiam à conquista das riquezas do Novo Mundo, entrando em conflito com os impérios ibéricos. Assim, na segunda metade do século XVI, os interesses geoestratégicos de Portugal e Espanha aproximaram-se.

A aventura norte-africana de D. Sebastião (1557-1578), encerrada com a morte do monarca em Alcácer Quibir, colocou a relação de forças do lado de Filipe II (1580-1598), senhor da maior armada do mundo. A União Dinástica, tantas vezes planeada por uma e outra das coroas ibéricas nos séculos precedentes, consumava-se em 1580, sem despertar grande oposição nas elites portuguesas.
Os governos de Filipe II e Filipe III (1598-1621) de Espanha não introduziram grandes alterações na administração do reino, sempre a cargo de portugueses.

Tortura. Imagem E. Buchot
Só a partir do reinado de Filipe IV (1621-1640) a política de pendor centralista do seu ministro Olivares poria em causa a autonomia administrativa e financeira portuguesa. Assim, em 1640, eclodiu uma conspiração anti-castelhana que aclamou o duque de Bragança como rei e instituiu uma nova dinastia.
Restauração de Portugal

Obrigado a empreender uma longa batalha diplomática e militar para garantir a independência, D. João IV (1640-1656) reforçaria a estrutura burocrática do estado de Antigo Regime. Todavia, a obra da Restauração só ficaria concluída no reinado seguinte com a assinatura definitiva da paz e o pleno reconhecimento espanhol da dinastia de Bragança (1668).
Entretanto, a corte de D. Afonso VI (1656-1683) era palco de uma luta política entre facções, culminando com o afastamento e o exílio de um monarca pressionado e doente. Seu irmão, D. Pedro, assumiu a regência e, com a morte de D. Afonso VI, o trono (1683-1706).
Na viragem do século, abria-se novo ciclo na economia colonial com a chegada das primeiras remessas de ouro brasileiro. O tesouro régio cresceu no longo reinado de D. João V (1707-1750), marcado por algumas obras monumentais na capital do reino e seus arredores.

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